Responsável por cerca de 7% do PIB brasileiro, não é à toa que o setor da construção está sempre rodeado de expectativas com relação ao seu desempenho. Em 2020, isso não foi diferente, embora o sentimento em torno da expectativa tenha mudado significativamente ao longo do ano.
Até antes da pandemia pelo Coronavírus se alastrar pelo mundo e atingir em cheio o Brasil, as fichas depositadas apostavam na construção civil em 2020 como um motor extra imprescindível para promover um forte crescimento da economia nacional. O País passava por uma série de reformas que visavam a melhorar sua saúde fiscal e, assim, reduzir custos e aumentar a capacidade de investimentos.
Depois que a pandemia levou ao isolamento e, consequentemente, à crise econômica, o sentimento em torno da construção civil em 2020 passou a ser de esperança. Especialmente porque logo após a determinação pelo isolamento social veio o decreto presidencial que colocou a construção civil no patamar de atividade essencial. Ou seja, cujas atividades deveriam ser mantidas mesmo durante a pandemia.
Esse cenário é responsável direto pelo primeiro ponto de destaque da construção civil em 2020 no Brasil.
Construção civil em 2020: Desempenho acima da média nacional
Como resultado da manutenção de suas atividades, a construção civil, com especial destaque para o segmento imobiliário, ajudou a segurar o desempenho do PIB para que a forte queda, a maior da história, não fosse ainda maior. No segundo trimestre de 2020 o PIB despencou 11,4% ante o mesmo período do ano anterior.
Não que o mercado imobiliário tenha passado ileso pela pior fase da pandemia, mas a queda de apenas 2,2% no volume de vendas entre o primeiro semestre de 2019 e o mesmo período em 2020 foi encarada como estabilidade pelos analistas setoriais.
Além disso, a expectativa é de que os lançamentos, que sofreram forte queda no primeiro semestre, sejam retomados até o final do ano e começo de 2021, já que 70% dos empresários afirma não ter cancelado, mas apenas adiado o lançamento.
Dessa maneira, a expectativa é que a recuperação do setor seja em “V”. Ou seja, que o fundo do vale seja superado rapidamente e seguido de forte aceleração rumo ao crescimento.
Indo mais a fundo neste ponto, a manutenção da atividade nos canteiros de obras ajudou, mas o fator mais relevante para a estabilidade nas vendas foi outro ponto de destaque da construção civil em 2020.
Redução das taxas de juros imobiliários
A taxa básica de juros brasileira, a Selic, já vinha sendo reduzida consistentemente pelo Banco Central e atingiu o nível de 2% ao ano, o menor da história, durante a pandemia. A relação entre a Selic e os juros do financiamento imobiliário não é direta. Ou seja, não é porque a Selic caiu que os bancos são obrigados a reduzir os juros cobrados pelo financiamento habitacional.
No entanto, a Selic indica uma tendência a ser seguida por todos os juros praticados na economia. Logo, os financiamentos imobiliários foram beneficiados dessa redução. Os principais bancos do País não apenas baixaram os juros do crédito para a compra de imóveis pelo SFH (Sistema Financeiro da Habitação), como também criaram novos produtos, com outros indexadores.
Assim, além da já tradicional TR (Taxa Referencial), surgiram produtos associados ao IPCA, por exemplo, que registra a inflação. Neste caso, a Caixa, que detém a maior fatia de clientes de financiamento imobiliário, também reduziu as taxas cobradas.
Em meados de outubro a instituição fez o terceiro corte do ano nos juros cobrados. Agora, tanto para imóveis enquadrados no SFH quanto para aqueles financiados via SFI (Sistema Financeiro de Habitação), a taxa efetiva mínima será a soma da TR mais juros de 6,75% ao ano. A taxa máxima, por outro lado, passa a ser TR+8,5% ao ano.
De acordo com estimativas da FGV, a cada 1 ponto percentual de corte nas taxas de juros, cerca de 1 milhão de famílias passam a ter capacidade de financiar um imóvel no Brasil. Não à toa, portanto, os cortes nas taxas de juros levaram a um avanço de 74,7% nos financiamentos nos oito primeiros meses de 2020 em comparação a 2019, chegando a R$ 11,7 bilhões. Os dados são da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
Por falar em poupança, este é outro ponto de destaque para a construção civil em 2020. Fonte dos recursos do SFH, a poupança bateu recordes de captação neste ano. Em setembro, a poupança já acumulava entrada líquida de R$ 123,98 bilhões.
Lançamento do programa Casa Verde e Amarela
Criado para substituir o programa Minha Casa, Minha Vida, o programa Casa Verde e Amarela tem o mesmo objetivo: reduzir o déficit de 7,7 milhões de habitações que existe no País. Então, até 2024 a meta é atender a 1,6 milhão de famílias, com investimentos da ordem de R$ 26 bilhões, a maior parte proveniente do FGTS.
Fonte: Sirenge
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